Núcleo Santana, Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – Petar

Maria Paula socializando com os bichinhos do Camping Moria. Iporanga – Petar Foto: Claudio Vitor Vaz

Percorremos mais 60 km até outro camping, o Moria, em Iporanga, no Bairro da Serra, perto de mais um local de visitação do Petar, o Núcleo Santana. O parque possui outros dois núcleos: Ouro Grosso e Casa de Pedra, que leva o nome do maior portal do mundo, uma fenda rochosa com 215 metros de altura.

Para chegar ao camping, levamos cerca de 1h30 percorrendo quase 60 km por duas rodovias: a BR-373 e a SP-165 – que fica numa serra e estava muito esburacada e com sinais de erosão. O nome Moria foi inspirado na obra O Senhor dos Anéis, de Tolkien, e se refere a um mundo subterrâneo habitado por anões, conta Silvério Dias de Moura, o atencioso e bom de prosa proprietário do Camping Moria, que gere o local com sua filha Chris.

Seo Silvério no cantinho mais tranquilo do seu camping em Iporanga. Foto: Claudio Vitor Vaz

Chegamos lá no início da noite de sábado. O camping estava cheio de famílias, que ocupavam um amplo campo gramado com suas barracas Algumas estavam instaladas em chalés. O local possui uma cantina com cozinha, banheiros e chuveiros quentes. Preparamos o jantar e, no finalzinho da noite, assamos alguns marshmallows na fogueira, como reza a tradição.

Choveu bastante de madrugada, o que nos deixou apreensivos sobre o passeio de domingo, nas cavernas de Santana e do Morro Preto. Acordamos com o canto dos galos e, ao abrirmos a barraca, nos sentimos nas nuvens: uma forte neblina cobria todo o camping pela manhã. Mas o sol despontou, tomamos nosso café e partimos para encontrar Pedro no Núcleo Santana.

Meninas na entrada da Caverna de Santa, Núcleo Santa, Petar. Foto: Claudio Vitor Vaz

A Caverna de Santana é uma das mais bonitas do Petar. Possui mais de 8 Km de extensão, mas somente 800 metros são abertos à visitação turística, por meio de estreitas passarelas, erguidas a cerca de meio metro de um riacho que passa dentro da caverna.

É preciso segurar firme as crianças pelas mãos, pois escorregões podem acontecer. Nesta caverna, há salões e galerias magníficos, alguns com mais de 20 metros de altura: os Salões das Flores, São Paulo, São Jorge, Takeupa e espeleotemas que formam imagens curiosas como o Buraco do Segredo, a Pata do Elefante e a Cabeça do Cavalo.

Recital de Pedro Ernesto, inspirado na Sinfonia das Cavernas, de Hermeto Pascoal. Foto: Claudio Vitor Vaz

Lá dentro, Pedro nos presenteou com um pequeno recital: com os dedos, ele tocou ritmicamente algumas estalactites, fazendo um som percussivo, que lembrava à marimba. Então ele contou sobre um concerto realizado pelo grande multi-instrumentista Hermeto Pascoal, numa das cavernas do Petar, chamado Sinfonia do Alto Ribeira ou Sinfonia das Cavernas, em 1985, no qual o músico e outros instrumentistas se revezavam para tocar as estalactites.

Caverna do Morro Preto

Pausa para ajustar o capacete e relaxar na Caverna Morro Preto. Petar. Foto: Claudio Vitor Vaz

Chegar a esta caverna exige um pouco de disposição, pois a trilha fica numa subida, com trechos de escadas feitas com pedras e madeira. Mas o esforço vale muito a pena: a Morro Preto tem um dos mais belos pórticos de entrada de caverna do Petar. A imagem do seu mirante interno, na contraluz, faz com ela torne-se um cartão postal do parque. Em sua boca foram encontrados vestígios de que esta caverna servia de abrigo para o homem primitivo e até um cemitério indígena.

Descemos pelas pedras até um platô, onde fiquei brincando com Maria Paula, enquanto o papai explorava salões superiores com o guia.

Maria Paula e papai se preparando para um mergulho na Cachoeira do Morro Preto. Foto: Carlota Cafiero

Na volta pela trilha, fomos até a cachoeira do Morro Preto, atravessando uma ponte sobre corredeira. Papai Claudio teve coragem de mergulhar na água gélida, enquanto fiquei admirando o cenário que atrai muitos turistas.

Saiba mais sobre o Núcleo Santana
Nele estão localizadas também as principais cavernas: Caverna de Santana, Caverna do Morro Preto, Caverna do Couto, Caverna da Água Suja e Caverna do Cafezal.
Além de várias cachoeiras: Cachoeira do Couto, Cachoeira das Andorinhas e Cachoeira do Betarizinho.
O acesso às cavernas é muito fácil. Sendo a Caverna da Água e Cafezal as mais distantes da base do núcleo, cerca de 40 minutos de caminhada pela Trilha do Rio Betari. Mas a trilha é um atrativo à parte (faz parte do Programa Trilhas de SP).
Para entrar no núcleo é cobrada uma taxa de R$ 15,00 por pessoa + taxa de R$ 6,00 por veículo. Não pagantes somente crianças abaixo de 12 anos de idade e visitantes acima dos 60 anos. Estudantes pagam meia entrada. Só é aceito pagamento em dinheiro (Real). Não são aceitos outras moedas ou pagamento em cheques.
Pelo fácil acesso aos atrativos e por estar localizado próximo ao Bairro da Serra – Iporanga, onde ficam a maioria das pousadas e campings, é o núcleo que recebe o maior número de visitantes durante o ano todo.
É também excelente para atividades de Estudo do Meio.
O acesso ao Núcleo de Santana pode ser feito via a Rota das Cavernas – SP 165, entre Apiaí ou Iporanga.