Parque Estadual Caverna do Diabo para crianças

Pausa para uma visita a Cachoeira Sem Fim, no caminho para a cidade de Eldorado: Claudio Vitor Vaz
Vicente da Costa, responsável e mantenedor da trilha da Cachoeira Sem Fim.. Foto: Claudio Vitor Vaz

Segunda-feira foi dia de levantarmos acampamento em direção à cidade de Eldorado, a 243 km de São Paulo, e 233 km de Santos, no Vale do Ribeira. Nosso objetivo ali era conhecer a caverna mais famosa, cenográfica e acessível da região, a Caverna do Diabo, que batiza um parque estadual maior do que o Petar, com mais de 40 mil hectares, e que abrange os municípios de Barra do Turvo, Cajati e Iporanga, além de Eldorado.

Antes, demos uma passadinha na Cachoeira Sem Fim, dentro de uma área particular, cuidada por Vicente da Costa, que fica numa casa típica de caboclo, onde gosta de receber visitantes para uma prosa e um cafezinho feito em forno à lenha.

A trilha até a cachoeira exige muita atenção dos pais com crianças pequenas, pois há trechos próximos a barrancos muito altos – disfarçados por vegetação -, onde os pequenos podem escorregar.

Chalés da Pousada Recanto das Águas, a 4km de Eldorado. Foto: Claudio Vitor Vaz

Em Eldorado

Nossa hospedagem foi num chalé da Pousada Recanto das Águas, um lugar muito agradável, com clima de fazenda. Como o parque não abre às segundas-feiras, foi um dia de descanso para nós, que aproveitamos para curtir a estrutura da pousada, com lago, pedalinho, piscina, cachoeira, parquinho, café colonial e brinquedoteca, onde Maria passou a maior parte do dia.

De noite, sob ameaça de chuva, fomos conhecer o Centro de Eldorado, a Igreja Matriz de Sant’Anna, perto de onde comemos cachorro-quente e passeamos numa praça com um coreto, onde Maria Paula se divertiu com um amiguinho local, brincando de pega-pega e esconde-esconde. Mas a chuva veio, espantou a brincadeira e voltamos para a pousada.

Fachada da Igreja da Matriz, Centro da cidade de Eldorado. Foto: Claudio Vitor Vaz

Na manhã de terça-feira fez sol, o que tornaria nossa ida à caverna mais tranquila. Após tomamos um delicioso café no restaurante da Pousada, partimos rumo à Caverna do Diabo, a cerca de 50 km dali.

Duco, monitor ambiental e fotógrafo profissional de pássaros, Caverna do Diabo. Foto: Claudio Vitor Vaz

Só se acessa a caverna com monitor ambiental local, contratado ali mesmo. O nosso foi o biólogo Carlos Roberto da Silva Moraes, o Duco, que trabalha há 22 anos também se dedica à observação de pássaros (birdwatching) e é descendente de quilombolas – há sete quilombos na região do Vale do Ribeira, e por cauda disso foi criado o Circuito Quilombola Eldorado, roteiro turístico de base comunitária.

O Parque Estadual Caverna do Diabo (PECD) fica entre os municípios de Iporanga, Eldorado e Barra do Turvo. O seu principal atrativo, a Caverna do Diabo ou Gruta da Tapagem (nome oficial) está localizada no Núcleo Caverna do Diabo, no Km 111 da Rodovia SP 165.

Formações esculpidas pelo tempo decoram o interior da Caverna do Diabo. Foto: Claudio Vitor Vaz

Diferentemente das cavernas que visitamos no Petar, esta possui estruturas de corrimões, passarelas, escadarias e iluminação artificial (fraquinha, para não interferir na formação dos espeleotemas), que facilitam o acesso dos visitantes.

As intervenções foram feitas numa época em que a ideia era proporcionar fácil acessibilidade, conforto e segurança aos turistas, atraindo o maior número de visitantes possível. Hoje, é diferente: a visitação é movida pelo princípio do mínimo impacto, com poucas adaptações ou alterações, mantendo o ambiente mais natural.

Vista da “Catedral” da Caverna do Diabo. Foto: Claudio Vitor Vaz

Com 6.237 metros de extensão, a caverna possui mais de 2 milhões de anos, e foi descoberta por pesquisadores há mais de um século, mas já era conhecida e utilizada por indígenas e quilombolas.

O primeiro a estudar a caverna foi o naturalista alemão Richard Krone, que a partir de 1886 descreveu 41 cavernas do Vale do Ribeira. Caboclos diziam que a caverna era a morada do diabo e a porta para o inferno, porque sons assustadores saíam de lá pareciam gemidos de almas castigadas.

Imagem da “cara do diabo”, que dá o nome à caverna de Eldorado. Foto: Claudio Vitor Vaz

Apenas 600 metros da caverna estão disponíveis para a visitação pública, num percurso que tem duração média de 1h30. Sua boca não é tão impressionante quanto a do Morro Preto, no Núcleo Santana, mas os salões e os espeleotemas da Caverna do Diabo são de tirar o fôlego. Parece um cenário de ficção, de obras clássicas como Viagem ao Centro do Mundo, de Júlio Verne, ou A Divina Comédia, de Dante Alligheri.

Todo o trecho aberto ao público é iluminado, o que nos permite ter a real dimensão dos enormes salões e apreciar toda a beleza das formações rochosas ali dentro.

A rocha que dá nome à caverna não é assim tão impressionante: ao final do passeio, o nosso guia iluminou uma formação que lembra um rosto humano – mas nada que se pareça com o Tinhoso em si, como chifres ou dentes afiados.

Com crianças pequenas, é preciso muito cuidado ali dentro, pois elas podem tropeçar ou, como não têm ainda muita noção do perigo, correr por passagens à beira dos abismos. Maria Paula foi em nosso colo em algumas partes mais perigosas ou com muitos degraus (que ficam molhados por causa da umidade).

Mas a caverna é bastante acessível e atrai todo tipo de gente, com todo tipo de preparo físico. Tanto que ao regresso, nos surpreendemos com uma família formada por um idoso, um bebê de colo e uma pessoa com deficiência nas pernas.

Saiba mais sobre a Caverna do Diabo:

O PECD – Parque Estadual da Caverna do Diabo é um dos mais importantes parques do Estado de SP. Compõem o Continuum Ecológico e faz parte do Mosaico de Jacupiranga – conjunto de Unidades de Conservação. Está localizado entre os municípios de Iporanga, Eldorado e Barra do Turvo.

O seu principal atrativo, a Caverna do Diabo ou Gruta da Tapagem está localizada no Núcleo Caverna do Diabo e fica em Eldorado, no Km 111 da Rodovia SP 165.

Está aberto à visitação das 8h às 17h, de terça à domingo (às segundas-feiras, com exceção de feriados prolongados e férias escolares ele não abre). É obrigatório o acompanhamento de um Monitor Ambiental Local.

A cada 12 visitantes é necessário 01 monitor. Na portaria do parque há monitores e ao pagar o ingresso do parque pode-se pagar o custo do monitor para acompanhar na caverna.

O que o parque oferece?
Visita à Caverna do Diabo somente com Monitor Ambiental cadastrado no parque;
Trilhas (curta e média duração);
Centro de Interpretação Ambiental e visitação;
Área de recreação e lazer.

O ingresso custa R$ 14,00 por visitante;
Serviço de monitoria ambiental: R$ 12,00 por visitante – pago diretamente à Amamel – Associação dos Monitores de Eldorado.
Crianças entre 01 – 06 anos de idade são isentos das taxas do ingresso do parque e do serviço da monitoria; Visitantes entre 07 – 12 e acima de 60 anos de idade são isentos do ingresso do parque, mas pagam a taxa do serviço de monitoria; Visitantes entre 13 – 59 anos de idade pagam o ingresso e o serviço de monitoria.

Estudantes com comprovante escolar – carteirinha pagam metade do valor do Ingresso do parque: R$ 7,00 + R$ 12,00 do serviço de monitoria. Total de R$ 19,00 por visitante.
Pessoas com mobilidade reduzida ou alguma deficiência são isentos.

O trecho de visitação é iluminado, não sendo obrigatório que o visitante porte lanterna;
É obrigatório que os visitantes utilizem calçados adequados para ingressar na caverna. É expressamente proibido o uso de chinelos ou qualquer outro tipo de calçado aberto.
Os telefones para falar diretamente na Caverna do Diabo são: 13 3871-0259 / 1242 / 3318

A gestora da Unidade é o Sr Ives Arnonis (2017). O PECD é administrado pela Fundação Florestal – Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo.