Liberdade com segurança

Aos 9 anos, Maria Paula está cada vez mais livre e à vontade no universo campista, correndo e brincando pelas áreas verdes e piscinas, mas claro que a pequena estava acompanhada do papai ou da mamãe – mesmo que de longe. Maria sabe nadar, mas é bom saber que a área das piscinas do Casarão conta com a presença frequente de guarda-vidas.
Uma das táticas que ajuda e faz parte da vida campista é se comunicar, se fazer conhecer e notar por todos, e tratar a todos com gentileza, incentivar e fazer amizades, especialmente entre as crianças e famílias com crianças. Durante os seis dias em que permanecemos ali, Maria brincou todos os dias com as crianças, tanto as que estavam acampadas ou hospedadas nos chalés, como Lucas, de Jundiaí, filho da simpática Laureci (a Lau), quanto com os filhos menores dos funcionários do camping, como a Sofia e a Lauane.

A parte gostosa de acampar é preparar o café da manhã em fogareiro a gás (equipamentos elétricos são proibidos no camping), debaixo de uma sombra de árvore, com vista para o vale, ou mesmo o almoço e o jantar – neste caso, servido sob as estrelas. Nada complexo: durante o dia, um arroz com feijão de caixinha e tiras de frango grelhadas; de noite, um churrasquinho com palitos de queijo coalho e pão de alho, tudo feito com calma, sem a pressa da rotina urbana.
Visitas de insetos é coisa frequente em campings, e nós, durante a estada no Casarão, convivemos com moscas durante o dia (especialmente na hora do almoço) e mariposas, vagalumes e besouros de noite, que insistiam com voos rasantes dentro da barraca, arrancando gritinhos de Maria. Aranha, nenhuma, nem escorpião, ufa! Mas um sapo Cururu roubou a cena numa noite de recreação com a monitora Na Lua que, corajosa, o pegou na mão para assustar as crianças, deixando-o livre logo depois.

Um cuidado importante é deixar a barraca, principalmente o ambiente em que dormimos, sempre fechada com zíper, e os tênis dentro do carro ou ensacados, para bicho algum buscar refúgio ali.
Entre 6 e 12 de janeiro, período em que acampamos, fez sol, calor e choveu – três noites, numa delas bem forte, o que levou o Claudio a mudar um pouco a barraca de lugar na manhã seguinte, pois algumas raízes expostas “seguravam” a água da chuva.

Insetos e chuva forte são esperados e tolerados por quem costuma acampar, e são bem mais suportáveis do que visitantes que não têm senso de coletividade. Apesar das regras bem claras do camping, como o respeito ao silêncio e aos demais – expostas no site e em avisos espalhados no local – sempre há aquelas pessoas que não têm espírito campista, como um grupo de amigos que ocupou um chalé próximo à área das barracas, que, num sábado, dedicou-se a um karaokê que durou a tarde e a noite, passando das 22h, em alto volume. Nem a chuva forte arrefeceu a animação daquelas pessoas, até que o segurança da portaria fez uma visita ao respectivo chalé e, finalmente, pudemos voltar a escutar a natureza ao redor.

